Idosos lançam moda: condomínios para viver junto com amigos

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Imagine poder morar junto com seus melhores amigos no mesmo prédio. Agora imagine poder envelhecer ao lado deles.

Na Espanha já existem 8 condomínios que funcionam como uma república autogerida. Lá amigos idosos moram juntos, fazem esportes, risoterapia, se divertem e sempre têm companhia de alguém querido.

E não tem nada de asilo! É o chamado “cohousing”moradias criadas e administrada pelos próprios idosos, que decidem entre amigos como e onde querem viver sua aposentadoria.

Os apartamentos pertencem a uma cooperativa, mas podem ser deixados de herança para os filhos. Na Espanha, há oito projetos construídos e vários em gestação.

A amizade de Víctor Gómez e Cruz Roldán tem 46 anos. Eles se conheceram em uma excursão na Serra Nevada, na Espanha.

Quinze anos depois, os idosos, com 79 anos, moram com suas respectivas esposas em Convivir, uma república autogerida na cidade espanhola de Cuenca.

Dezenas de amigos e familiares se entusiasmaram quando os dois casais de amigos propuseram a ideia de viver juntos, e hoje são 87 sócios que se identificam com o lema “dar vida à idade”.

O condomínio

O condomínio conta com todos os serviços de um asilo para idosos tradicional.

Todas as residências de cohousing devem cumprir os requisitos de um ambiente tradicional para idosos: banheiros geriátricos, móveis sem quinas, botões de emergência em todos os quartos, entre outras coisas.

Os apartamentos pertencem a uma cooperativa, mas podem ser deixados de herança para os filhos.

“Mas não ficamos sentados o dia todo em uma cadeira entre desconhecidos”, explicou um dos amigos. Eles compartilham tarefas, mantêm-se ativos e conservam sua independência.

Todos se ajudam

A oficina de risoterapia é dirigida por Lourdes Ranera. Ela aprendeu essa técnica na Índia, ensinou-a por mais de 20 anos em Barcelona, e hoje faz rir todos os dias seus colegas de república.

A aula de ginástica fica à a cargo de Timoteo, que antes de se aposentar era professor.

Outros participam da aula de macramê oferecida por Amelia López, de 88 anos, a mais velha do lugar.

A idade média é de 70 anos, mas respira-se um ambiente juvenil.

“Vir para cá me rejuvenesceu! É a graça de morar em uma residência quando ainda estamos bem”, conta López.

Mercado crescendo

Apesar desse tipo de moradia colaborativa estar se consolidando há pouco tempo na Espanha, Rogelio Ruiz, arquiteto da eCohousing, recebeu quase 1.000 pedidos de informação sobre este modelo de república.

“Achávamos muito estranho fazer casas para pessoas que não sabíamos quem eram, nem como queriam morar. Agora tomamos as decisões com eles. Se há alguém que trabalhou com jardinagem, opina nas áreas verdes, e se há uma enfermeira, fala sobre como deve ser a área de saúde”.

Diferentemente da situação em Convivir, onde todos que querem um apartamento devem ter um conhecido e ser sócios, em Trabensol a oferta é para o público em geral.

Caro

Entretanto, ainda custa caro viver em uma república para idosos: os valores para associar-se a uma cooperativa de cohousing na Espanha – que não isenta os gastos mensais— vai dos 50.000 aos 140.000 euros (entre 175.000 a 490.000 reais) por ano

Esse gasto vai sendo amortizado nas residências que também recebem não sócios.

Na Fuente de la Peña, também na espanha, se você for sócio paga 2.080 euros (7.280 reais) por mês por casal, em vez de pagar um “aluguel” de 3.150 euros (11.025 reais).

Os custos variam também se o residente quer serviços de limpeza, lavagem de roupas, comida ou só acesso aos serviços de saúde, como enfermaria e fisioterapia.

“Em vez de meu filho se tornar independente, eu é que me tornei”, diz em voz baixa Luis de la Fuente, enquanto fecha a porta de seu novo lar, na ora da siesta.

Com informações do ElPaís

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